domingo, 24 de março de 2013

Corretoras - amigas ou inimigas?

Qualquer pessoa que queira investir em ações diretamente precisa usar os serviços de uma corretora.
Corretoras são membros da Bovespa e além de receber e encaminhar as ordens de compra, fornecem uma série de serviços importantes: disponibilizam cotações, guardam os valores não utilizados na compra de ações, mantém analistas e disponibilizam home-brokers, relatórios, além de outros serviços indispensáveis ao investidor.
O iniciante faz o cadastro, envia os documentos e assim que liberado, começa a comprar e vender ações.
Após adquirir algum conhecimento e experiência, além de alguns prejuízos, ele lê em algum lugar que quem ganha com trades só são as corretoras. Aí ela vira o bicho papão. Tá cheio de gente criticando corretoras. Mas será mesmo?

Todos os serviços, produtos e profissionais mantidos pela corretora têm um custo. Além de pagar as próprias contas, toda corretora é uma empresa e como tal, busca o lucro. Aparentemente após alguns prejuízos, o investidor acusa a corretora e suas tarifas de minarem seus lucros e tornarem mais difícil algo que não vai bem.
Isso é correto?
Vejamos o lado da corretora.
A corretora além de intermediar negócios funciona como uma escola de mercado de capitais. Tudo começa quando temos duas "escolas" de investimento: a Fundamentalista e a Técnica.

A fundamentalista exige conhecimento de matemática, balanços contábeis, certo talento para analisar negócios e visão de médio a longo prazo. Estudar Análise Fundamentalista dá muito trabalho. Se a corretora só dá atenção para isso, vai perder clientes aos montes, pois as outras corretoras vão visar o curto prazo e encontrar meios para convencer os potenciais clientes que ela providencia oportunidades de lucros regularmente e as fundamentalistas não. A maioria das pessoas não está preparada para esperar meses, anos, por um resultado. Então, até o momento não vi corretoras incentivando para pequenos investidores o aprendizado e uso desse tipo de análise. Elas precisam de algo mais imediatista, algo que premie periodicamente os clientes, para deixa-los satisfeitos além de gerar corretagens para cobrir os custos.

A Análise Técnica é relativamente mais simples de aprender, basta conhecer os padrões formados pelos gráficos e esquecer o resto. Não exige formação acadêmica ou nível de instrução muito alto. Ela também promete pequenos lucros no curto prazo, algumas vezes no próprio dia e se as pessoas não conseguem lucro logo, já começam  a reclamar. Então é uma boa opção para as corretoras. Aumentam os números de negócios, providenciam pequenas recompensas diárias para os clientes e todos ficam felizes.
As corretoras disponibilizam profissionais, ferramentas, área educacional e acompanhamento durante todo o pregão e dá-lhe Análise Técnica. Olha os custos aí....

E nós investidores, estamos certos? Vamos ver com mais calma:
O investidor conhece o mercado de capitais e vislumbra a oportunidade de ganhar muito dinheiro sem trabalhar. A propaganda e as matérias nas revistas são sedutoras. Ele vai comprar partes de uma empresa, essas partes vão crescer e ele vai se desfazer delas com lucro.
Começam os problemas antes do primeiro contato com o HB.
Lí em alguns livros de psicologia que as pessoas têm uma mania de internamente supervalorizarem as próprias competências e e habilidades. Uma pessoa que pensa ter inglês intermediário, mas é só o básico. Outra que acha que não precisa de planejamento, pois vai resolver tudo na hora. Outras que se acham especiais e espertas. Vão conhecer o mercado de capitais, logo após alguns negócios vão descobrir o fio da meada e ser mais bem sucedidos que os outros. Vai dar tudo certo no final!!! Aí, com pouco conhecimento e experiência, tentam a "grande tacada". Dois erros já no início: Achar que sabem algo que não sabem e acreditar que vão blefar e esvaziar a mesa. No fundo no fundo é a mania do brasileiro de fazer tudo "meia-boca" querendo retorno alto por isso.
Abrem o HB e descobrem que nada sabem. Os mais cuidadosos consultam os analistas da corretora. Os menos cautelosos vão atrás de fóruns, comunidades e acabam acreditando em pessoas que não conhecem pessoalmente. Seria muito fácil assim né? Fico olhando o HB, pego dicas e ganho dinheiro aos montes sem esforço ou conhecimento. Está aí o terceiro erro do investidor. Além de não ter lucros, vai ter que pagar custódia, corretagens e se tiver algum lucro, vai gastar alí.
Com prejuízos acumulando, frustração e desapontamento, as pessoas demonstram outro comportamento humano muito comum: Não querem admitir que não sabem o que fazem. O cara quer ganhar dinheiro, mas quer que outra pessoa pense por ele e não dá certo. Aí ele culpa quem? Os "tubarões", os especuladores e.... as corretoras. Ele não quer admitir que errou e precisa escolher outro caminho.

Como foi mencionado no início, as corretoras são fornecedoras de produtos e serviços e como tal têm um público alvo. Talvez a corretora que o iniciante escolheu não seja a adequada para ele. Não vai ser bom para o cliente nem para a corretora. Se o cliente não está satisfeito com ela, é simples: muda e ponto final.

O fato é que se o investidor tem lucro, não vai ligar para tarifas de corretagem ou custódia. O correto é analisar se a corretora escolhida atende suas necessidades e se ela potencializa  suas oportunidades de ganho, sejam quais forem os custos envolvidos. Vale mais a pena gastar 20 e ganhar 100 do que gastar 10 e ganhar 30. Agora já com mais experiência e conhecimento, o investidor pode tentar novas alternativas e buscar a que melhor se enquadra nas suas necessidades ou ao seu estilo.
Só não vale ficar reclamando e chorando. Tem que descobrir onde está errando e potencializar seus lucros.
E que de preferência a corretora ganhe com o investidor.